terça-feira, 1 de maio de 2012

A comunicação surgiu do silêncio



A construção da cultura depende da comunicação e a fala e a linguagem gestual são as formas mais naturais de comunicação, já que sua produção e recepção, em condições normais, não dependem de recursos externos ao nosso organismo.

Mas, à medida que os conhecimentos e valores culturais foram se ampliando ao longo da história das diferentes comunidades, os indivíduos passaram a sentir a necessidade de formas alternativas de usar a linguagem e de ampliar seu potencial de trocas comunicativas. Para isso, começaram a criar recursos materiais que permitissem o registro de informações ou mensagens (nas paredes das cavernas, nas placas de pedra, barro ou madeira, em pedaços de couro de animais ou, posteriormente, na manipulação de fibras de plantas usadas para fabricar os papiros).

Gradativamente, foram também criando novas convenções de linguagem que permitiam a troca de mensagens, mesmo se as pessoas estivessem distantes. Sinais de fumaça, o som de batidas em árvores e tambores e o som de cornos de animais usados como trompetas foram, possivelmente, as formas mais primitivas de comunicação a distância criadas pelos seres humanos. 

Os estudos históricos indicam que as primeiras expressões escritas e figurativas, como as registradas nas pinturas rupestres, tinham inicialmente uma função mística. Mas, gradativamente, elas não só migraram para outros tipos de suporte textuais - como as placas de pedra ou argila - como também passaram a cumprir funções mais cotidianas, registrando, para consulta posterior, informações sobre as mais diversas atividades culturais e transações comerciais. 

Esse processo, mesmo em sua fase primitiva, foi fruto de tecnologia, já que o ser humano teve que "criar" ferramentas apropriadas para o registro das informações e escolher ou criar meios de suporte textual que permitissem tal registro. Isso veio com novas convenções de linguagem, já que havia uma distância muito grande entre a quantidade de informação que poderia ser comunicada pela fala em interações face a face e o que poderia ser registrado nos limites impostos pelos suportes textuais primitivos.

Gradativamente, as comunidades foram sentindo necessidade de tipos de suporte que fossem suficientemente práticos para facilitar o registro, o transporte e o armazenamento da informação escrita. A criação do papiro veio solucionar alguns desses problemas. Posteriormente, o uso do papiro em rolos viabilizou o registro de textos mais longos e mais complexos.

No entanto, a consulta nos rolos de papiro ainda era muito complicada. Isso motivou alternativas mais práticas como o códex, criado por volta do século II a.C. e construído por folhas de pergaminho produzidas a partir do couro de animal. No códex, folhas manuscritas eram posteriormente encadernadas para preservação. Nesse tipo de suporte, consultas a partes específicas do texto poderiam ser realizadas de uma forma mais ágil, como hoje ocorre com nossas consultas a livros impressos ou cadernos manuscritos. Toda essa tecnologia de suporte já estava bem desenvolvida quando foi criada a imprensa.


Fonte: 
OLSON, D. R.; TORRANCE, N. (Orgs.). Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1997.




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