A construção da cultura
depende da comunicação e a fala e a linguagem gestual são as formas mais
naturais de comunicação, já que sua produção e recepção, em condições normais,
não dependem de recursos externos ao nosso organismo.
Mas, à medida que os
conhecimentos e valores culturais foram se ampliando ao longo da história das
diferentes comunidades, os indivíduos passaram a sentir a necessidade de formas
alternativas de usar a linguagem e de ampliar seu potencial de trocas
comunicativas. Para isso, começaram a criar recursos materiais que
permitissem o registro de informações ou mensagens (nas paredes das cavernas,
nas placas de pedra, barro ou madeira, em pedaços de couro de animais ou,
posteriormente, na manipulação de fibras de plantas usadas para fabricar os
papiros).
Gradativamente, foram
também criando novas convenções de linguagem que permitiam a troca de
mensagens, mesmo se as pessoas estivessem distantes. Sinais de fumaça, o som de
batidas em árvores e tambores e o som de cornos de animais usados como
trompetas foram, possivelmente, as formas mais primitivas de comunicação a
distância criadas pelos seres humanos.
Os estudos históricos
indicam que as primeiras expressões escritas e figurativas, como as registradas
nas pinturas rupestres, tinham inicialmente uma função mística. Mas,
gradativamente, elas não só migraram para outros tipos de suporte textuais -
como as placas de pedra ou argila - como também passaram a cumprir funções mais
cotidianas, registrando, para consulta posterior, informações sobre as mais
diversas atividades culturais e transações comerciais.
Esse processo, mesmo em
sua fase primitiva, foi fruto de tecnologia, já que o ser humano teve que
"criar" ferramentas apropriadas para o registro das informações e
escolher ou criar meios de suporte textual que permitissem tal registro. Isso
veio com novas convenções de linguagem, já que havia uma distância muito grande
entre a quantidade de informação que poderia ser comunicada pela fala em
interações face a face e o que poderia ser registrado nos limites impostos
pelos suportes textuais primitivos.
Gradativamente, as
comunidades foram sentindo necessidade de tipos de suporte que fossem
suficientemente práticos para facilitar o registro, o transporte e o
armazenamento da informação escrita. A criação do papiro veio solucionar alguns
desses problemas. Posteriormente, o uso do papiro em rolos viabilizou o registro
de textos mais longos e mais complexos.
No entanto, a consulta
nos rolos de papiro ainda era muito complicada. Isso motivou alternativas mais
práticas como o códex, criado por volta do século II a.C. e construído por
folhas de pergaminho produzidas a partir do couro de animal. No códex, folhas
manuscritas eram posteriormente encadernadas para preservação. Nesse tipo de
suporte, consultas a partes específicas do texto poderiam ser realizadas de uma
forma mais ágil, como hoje ocorre com nossas consultas a livros impressos ou
cadernos manuscritos. Toda essa tecnologia de suporte já estava bem
desenvolvida quando foi criada a imprensa.
Fonte:
OLSON,
D. R.; TORRANCE, N. (Orgs.). Cultura escrita e oralidade. São
Paulo: Ática, 1997.